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	<title>Blog da Bola</title>
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	<description>Blog do Museu do Futebol</description>
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		<title>Blog da Bola</title>
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		<title>Museu do Futebol recebe prêmio de arquitetura</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2008 20:23:46 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Prêmios]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio IAB/SP]]></category>

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		<description><![CDATA[Museu do Futebol recebe prêmido do IAB/SP
O projeto do Museu do Futebol venceu o Prêmio do Instituto de Arquitetos do Brasil &#8211; IAB/SP  na categoria Restauro e Requalificação.
O projeto integrou, com muito êxito, arquitetura, museografia e conteúdo e deu novo uso a espaços subutilizados no Estádio do Pacaembu. A autoria é de Mauro Munhoz e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=museudofutebol.wordpress.com&blog=4659846&post=41&subd=museudofutebol&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal"><strong>Museu do Futebol recebe prêmido do IAB/SP</strong></p>
<p>O projeto do Museu do Futebol venceu o Prêmio do Instituto de Arquitetos do Brasil &#8211; IAB/SP  na categoria Restauro e Requalificação.</p>
<p>O projeto integrou, com muito êxito, arquitetura, museografia e conteúdo e deu novo uso a espaços subutilizados no Estádio do Pacaembu. A autoria é de Mauro Munhoz e co-autoria de Daniel Pollara e Paula Bartorelli.</p>
<p>Parabéns ao Museu e aos autores do projeto!</p>
<p>Leia mais sobre Mauro Munhoz e o projeto arquitetônico do Museu do Futebol em: www.museudofutebol.org.br/sobre-o-projeto</p>
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		<title>Um Museu para celebrar histórias</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 14:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>museudofutebol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[*José Serra
Museu do Futebol era uma idéia que já existia no ar. Pouco depois de que assumi a prefeitura de São Paulo decidi materializá-lo, sem a ambição do exclusivismo, até porque não imaginava um museu composto fundamentalmente de relíquias. Pensava em  algo que expressasse a memória do nosso futebol, suas
performances, seus craques, suas conquistas e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=museudofutebol.wordpress.com&blog=4659846&post=13&subd=museudofutebol&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>*José Serra</strong></p>
<p>Museu do Futebol era uma idéia que já existia no ar. Pouco depois de que assumi a prefeitura de São Paulo decidi materializá-lo, sem a ambição do exclusivismo, até porque não imaginava um museu composto fundamentalmente de relíquias. Pensava em  algo que expressasse a memória do nosso futebol, suas<br />
performances, seus craques, suas conquistas e até sofrimentos. Que, para isso,  utilizasse o que há de mais novo e criativo em matéria de tecnologia. Que emocionasse e entusiasmasse o público. Que mostrasse a evolução desse nosso esporte maior no contexto da  história de nosso país. Um esporte que começou na elite, de forma socialmente segregada,  e chegou às massas, como o próprio Brasil, que ao longo do período  transformou-se numa sociedade de massas para ninguém  botar defeitos, com suas virtudes e problemas.</p>
<p>Inicialmente, procurei ganhar para a idéia e aprender com os formadores de  opinião do esporte, e com suas principais entidades. Visitando e revisitando o Museu da Língua Portuguesa, não tive dúvida: conquistar  a Fundação Roberto Marinho como Organização Social parceira, o que não foi difícil, até porque as relações de amizade com o José Roberto e o Hugo Barreto facilitaram a aproximação e as explorações iniciais. Foi uma escolha perfeita. Quero dizer aqui que o resultado, em matéria de criatividade e bom gosto,  ultrapassou minhas expectativas. A Fundação fez valer seu profissionalismo, sensibilidade para temas novos &#8211; como já tinha demonstrado no caso do MLP &#8211; e enorme talento para reunir grandes talentos, começando pelo Leonel Kaz, autor de um livro sensacional sobre a história do nosso futebol. O Alberto Helena e o PVC tinham sugerido o Pacaembu como local, sugestão que levianamente descartei no início. Mas como sempre acaba<br />
acontecendo comigo, as idéias que rejeito ficam arquivadas em minha mente para reexames, e inclui o Pacaembéu dentro das possibilidades. A peregrinação por outros lugares e a descoberta de 7 mil metros quadrados disponíveis embaixo das arquibancadas firmaram a decisão de fazer o Museu aqui.E o apoio e o endosso indispensável da CBF  ao projeto foi dado por Ricardo Teixeira desde o seu lançamento.</p>
<p>Para mim, o Pacaembú e o futebol se confundem. Bem criança eu vinha com meu pai nos domingos à tarde,  assistir os jogos do Palmeiras. Era da inocência: enquanto jogavam os aspirantes os craques da partida principal ficavam  assistindo, sentados no alto das arquibancadas, e eu em volta, babando com o Lula (atenção, ponta direita do Palmeiras), o Turcão, o Lima, o Canhotinho  o Jair Rosa Pinto&#8230; Pois o Museu estará embaixo exatamente de onde ficavam os jogadores. Aliás, fiz a sugestão de ligar o Museu ao campo<br />
através de uma parece de vidro transparente, que permitirá aos seus freqüentadores olhar o campo e até partidas sendo disputadas.</p>
<p>Disse que o Museu ultrapassou nossas expectativas. E vou invocar como testemunhas o Hugo Barreto e o Caio Carvalho para me defender de minha fama, injusta,  de detalhista ou centralizador.  Tirando uma ou outra coisa, como a sugestão de homenagear  fortemente o maior locutor esportivo pré televisão, o Pedro Luiz, dei poucos palpites. Quando fui para o Governo do Estado, a Prefeitura, pelas mão do Walter , do Caio,e do Clóvis continuou tocando o projeto como prioritário, continuei a arrecadar recursos e a alocar, então, também financiamento do Estado. E o Estado vai gerir o Museu, trazendo para si todas as responsabilidades do seu custeio futuro.</p>
<p>Mas deixem-me, agora, sublinhar dez pontos que, penso, contribuem para fixar o significado deste Museu.</p>
<p>COPA DE 2014</p>
<p>A realização do Museu do Futebol constitui um fato novo, de inegável caráter internacional, pelo padrão que dá ao esporte, não apenas pelo seu conteúdo como pelo uso de tecnologia de ponta. Constitui assim, um significativo acréscimo de  qualificação para a demanda brasileira  de sediar a Copa de 2104, já que traz o futebol para uma contemporaneidade ainda não vista em museus do gênero.</p>
<p>2. NOVAS FORMAS DE AÇÃO EDUCATIVA</p>
<p>O Museu demonstra, aos olhos do Brasil, o avanço de São Paulo em promover uma educação pública de qualidade não apenas na escola, mas nas suas extensões, com a criação de verdadeiros &#8220;museus-escola&#8221;  que ampliam a capacidade de compreensão e aproveitamento escolar do aluno.</p>
<p>3. INSERÇÃO POLÍTICA NACIONAL</p>
<p>Não se trata apenas de criar um museu dedicado ao esporte de um país, mas sim de valorizar o próprio país por meio de uma de suas expressões mais  significativas: o futebol. O Museu do Futebol serve de exemplo para a tese de devolver ao brasileiro o sentimento de pertencimento a uma origem comum, a um desejo de<br />
construção de um ideal de país. &#8220;Nós somos uma invenção de nós mesmos&#8221;, disse, certa feita, o poeta Ferreira Gullar. Ou seja, nós somos parte do imaginário daquilo que imaginamos que somos. O Museu do Futebol não é apenas fisicamente palpável; ele constitui a ampliação de sentidos e sentimentos comuns que constituem a base da nacionalidade.</p>
<p>4. A ACESSIBILIDADE: um exemplo para o mundo</p>
<p>Trata-se do primeiro museu brasileiro e, sem sombra de dúvida, único no mundo, a ter um programa &#8212; de ponta a ponta &#8211; voltado à pessoa portadora de problemas especiais. Um exemplo: ao cego será possível ver, por meio do toque, a jogada de Ronaldinho Gaúcho, exposta na Sala dos Anjos Barrocos, inteiramente de pernas para o ar. Ele irá tocar o corpo do jogador, reproduzido em relevo numa placa de gesso&#8230;</p>
<p>5. UM MUSEU DE TODOS</p>
<p>O Museu será visitado por torcedores e não torcedores, já que ele não é excludente. Ao contrário. Ele é um museu aberto às famílias, avôs e netos. Ele está na origem daquilo que ele quer valorizar como mais caro no homem: a palavra. Daí ser o futebol o campo da palavra. Todas as imagens nele existentes fazem parte de nossa herança comum e devem ser passadas de geração a geração pela força expressiva da tradição oral, daquilo que pais contam a seus filhos, avôs a seus netos, a partir das imagens que acordam a memória (são 1500 fotos e seis horas de imagens em movimento). O Museu comemora este congraçamento. Ele une.</p>
<p>6. O MUSEU: UM PONTO DE ATRAÇÃO INTERNACIONAL</p>
<p>O Museu dá a São Paulo uma atratividade internacional sem precedentes, única, para seu turista que vem do exterior, ao mesmo tempo em que atiça a atenção do visitante de outros Estados, na medida em que se constitui de modelo de  museu de ponta, de última geração, ou como dito pelos que já lá foram: &#8220;um museu de pernas pro ar&#8221;, &#8220;um museu do outro mundo&#8221;, &#8220;um museu futurista&#8221;&#8230;</p>
<p>7. RECUPERAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DE UM PATRIMÔNIO DOS PAULISTANOS</p>
<p>Ao recuperar o velho estádio e o seu entorno da praça Charles Miller, o Museu devolve ao cidadão de São Paulo um espaço pouco frequentado e de forte beleza natural: a encosta adjacente dos morrotes dos bairros de Perdizes e Pacaembu. Trata-se de uma nova perspectiva que se abre ao olhar de quem vive na própria cidade e pouco a frequenta nesse lugar. Ou seja, cria uma nova área de lazer e abrigo para o coração do paulistano.</p>
<p>8. O MUSEU DIGNIFICA O FUTEBOL</p>
<p>Ao dar ao futebol o mesmo status das outras formas de manifestação cultural &#8212; a arte, a música, a literatura &#8212; o Museu entroniza o futebol dentro de um aspecto, até então, não exposto de forma tão explícito aos olhos do próprio torcedor. Dignificando o esporte, ele contribuirá, sem dúvida, a elevar a qualificação do próprio torcedor, que se sentirá honrado com o Museu que, por extensão, qualifica algo de caráter aparentemente tão popular e, paradoxalmente, tão &#8220;cultivado&#8221;. Ou seja, se eleva o status social e cultural do próprio torcedor de futebol.</p>
<p>9. O MUSEU DEMONSTRA A IMPORTÂNCIA DA AÇÃO DO PODER PÚBLICO</p>
<p>Ao idealizarmos o Museu do Futebol e transformar idéias em ação e ação em realidade, o governo e a prefeitura de São Paulo assumem o papel mais comezinho &#8211; e que, muitas vezes, nos esquecemos &#8211; de que cumpre ao Poder Público realizar ações que elevem à cultura. Ou seja, a exemplo dos anos 30 e 40, ser o Poder Público fomentador de bases culturais &#8211; como o foram, na época, a criação do Instituto Nacional do Livro ou do Instituto do Patrimônio Histórico &#8211; e não ficar a reboque das iniciativas individuais ou de caráter mais imediatista.</p>
<p>O Museu do Futebol veio para ficar e modificar o próprio significado da instituição &#8220;museu&#8221;.</p>
<p>10. SEM A AMBIÇÃO DO EXCLUSIVISMO</p>
<p>Quando disse antes que não tínhamos a ambição do exclusivismo, quis dizer: o &#8220;acervo&#8221; deste museu é sobretudo sua criatividade, não são suas peças. Por isso, certamente haverá outro semelhante e melhor no Rio de Janeiro, e em outros estados, que acrescentarão inovações, contribuições originais. Em 2014, os estrangeiros que vierem assistir o jogo inicial da Copa, visitarão o Museu do Esporte de São Paulo. Os que forem à final, visitarão o Museu do Esporte do Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>*José Serra é governador e idealizador do Museu do Futebol</strong></p>
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		<title>O museu da alma nacional</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 03:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>museudofutebol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquivos imprensa]]></category>
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		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Museu]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma bola na bandeira do Brasil. Essa imagem poderia nos levar à analogia que louva o futebol como algo típico do brasileiro, parente próximo do carnaval ou do jogo do bicho. Não é bem assim. Nosso futebol não foi uma dádiva, mas uma conquista. Uma das raras &#8220;guerras&#8221; internas em que o povo entrou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=museudofutebol.wordpress.com&blog=4659846&post=5&subd=museudofutebol&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Há uma bola na bandeira do Brasil. Essa imagem poderia nos levar à analogia que louva o futebol como algo típico do brasileiro, parente próximo do carnaval ou do jogo do bicho. Não é bem assim. Nosso futebol não foi uma dádiva, mas uma conquista. Uma das raras &#8220;guerras&#8221; internas em que o povo entrou e venceu. Venceu e se apropriou de algo implementado pelas elites que pretendiam fazer do futebol um traço da &#8220;raça&#8221; brasileira sadia, &#8220;embranquecida&#8221;. O país negro e mestiço não podia existir dentro das quatro linhas do campo, apregoavam os introdutores do esporte entre nós, na década seguinte à Abolição e à República. Porém, se antes era apenas testemunhado à distância pela população mais pobre, reunida lá no alto dos morros cariocas e nas várzeas paulistas, o futebol transformou-se num apaixonado triunfo de todos. Um raro pertencimento coletivo a que se entregam os brasileiros.</p>
<p style="text-align:justify;">Ocorre que, se nossas escolas não cultuam os valores de origem, os valores de nossa formação étnica, nem incentivam o orgulho de nossa mestiçagem, quem o faz? Quem conhece sua herança cultural, que não a de branco europeu? Quem se assume como mameluco, cafuzo, mulato, índio? Difícil, portanto, estabelecer vínculos de solidariedade e coesão que nos levem a estruturar um país que, de fato, pertença a todos.</p>
<p style="text-align:justify;">Sobra-nos a identificação geral proposta pelo futebol, porque esta é uma história comum. O futebol, esse país que existe em nós, não nos foi dado, mas expropriado.</p>
<p style="text-align:justify;">Pois o futebol para aqui veio bem no finalzinho do século XIX, bem próximo ao alvorecer que o século seguinte traria das explosões inventivas. O ritmo da vida deixava a previsibilidade de lado. Tudo passava a ser fruto do inesperado, os atos passavam a ser menos controlados pela regularidade da vida cotidiana e mais pelos imprevistos, pela urgência, pelo movimento incessante, pelo ritmo percussivo das máquinas e ruídos das cidades.</p>
<p style="text-align:justify;">O futebol era um esporte adequado para um mundo que estava sendo posto de pernas para o ar. Um mundo em que os trabalhadores passavam a ter alguma voz ativa, apesar de o Brasil continuar a impedir o acesso de pobres e negros a qualquer tipo de privilégio cultural, aí incluída a prática do futebol. Estes eram proibidos até de torcer pelos clubes, todos grã-finos. O país dos capitães hereditários, dos patriarcas da cana-de-açúcar, era o mesmo dos barões do café que impuseram à princesa Isabel a Abolição &#8211; ainda que tardia &#8211; da escravatura. O ato não estava imbuído de espírito libertário, mas dos interesses das oligarquias dominantes: a de não mais sustentar escravos, em vista da imigração européia que chegava com mão-de-obra qualificada e até mais barata. Os negros eram atirados às ruas. Quanto aos mestiços, eram considerados seres &#8220;desqualificados&#8221; para construir o futuro de qualquer país, ainda mais um Brasil que se olhava no espelho da Europa! No Museu do Futebol vai se narrar essa história que começa com Charles Miller, no final do século XIX, e vai até os primórdios da profissionalização do futebol e da aceitação de atletas negros, a partir dos anos de 1920. A saga do nosso futebol é exaltada como uma das raras conquistas do povo brasileiro, em que a nossa fusão étnica deu sentido, jeito de ser e modulação de gesto à história do futebol no Brasil.</p>
<p style="text-align:justify;">O Museu do Futebol que se inaugura em São Paulo é uma realização do governo do estado, da prefeitura de São Paulo e da Fundação Roberto Marinho, com apoio do Ministério da Cultura e de empresas patrocinadoras. Visitá-lo será também visitar a História do Brasil no século XX. Além dos eixos de experiências lúdicas que fazem o visitante interagir com a emoção e a diversão, o museu é composto de uma grande espinha dorsal. É o eixo da história. Uma história de heróis, como Friedenreich, Domingos da Guia e Leônidas, Pelé e Garrincha, todos tão significativos e expressivos da cultura brasileira quanto um Portinari, um Villa-Lobos, um Mário de Andrade, um Niemeyer. Pois, se nos anos de 1930 e 1940 criamos esses heróis que tanto nos dizem respeito nos campos da arte, da literatura, do teatro, da música, da arquitetura, por que os do futebol não deveriam também ser entronizados nesse panteão cívico?</p>
<p style="text-align:justify;">Além de toda a riqueza documental, que está sendo exibida em mais de 1.500 fotografias em grande formato e dezenas de filmes, o museu se abriga também dentro de um patrimônio histórico. Não é mero acaso sua localização no Estádio do Pacaembu. Inaugurado por Getúlio Vargas, em 1940, foi orgulhosamente saudado como o maior e mais moderno da América Latina. Refletia todo o espírito de uma época: os anseios de grandeza e uma inabalável fé no destino da nação. Foi marco de um Brasil monumental, que tomava consciência de si próprio e se projetava com euforia no futuro. Nele os torcedores veriam, abismados, o gol de bicicleta de Leônidas; nele veriam surgir, nos anos 50, Pelé, o Rei do Futebol, que desfilaria sua magia por esse gramado por mais de 20 anos. E nele descobririam a paixão pelo futebol brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada mais natural, portanto, do que sediar o Museu do Futebol no coração do Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho &#8211; o Pacaembu &#8211; próximo da vibração das arquibancadas, numa das artérias mais pulsantes do futebol brasileiro e da vida cotidiana da cidade de São Paulo. Ali, por entre colunas e fundações &#8211; como um sítio arqueológico em busca da alma profunda do Brasil &#8211; o museu vai contar a epopéia do país que se uniu em torno de uma bola.</p>
<p style="text-align:justify;">O visitante terá a oportunidade de responder às indagações que sempre se fez sobre esta nossa paixão tão coletiva. Por que o futebol nos diz tanto respeito? Por que ele está tão dentro da alma de cada brasileiro? Ao percorrer o Museu do Futebol &#8211; apropriando-se da frase de Mário de Andrade &#8211; o visitante vai virar  &#8220;brasileiro sem querer&#8221;.</p>
<p>Leonel Kaz, curador e diretor executivo do Museu do Futebol.<br />
Publicado em <em>O Globo</em> Caderno Opinião,<em> </em>p. 7, terça-feira, 23 de setembro de 2008.</p>
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